“Drogas nunca mais”
Psicólogo Gilvan Melo
“Drogas nunca mais” é o
título de uma das músicas do cantor e compositor Ednaldo Francisco, um dos
coordenadores da Fazenda do Sol, localizado em Campina Grande.
Quem conhece a realidade de um dependente químico sabe que
histórias se repetem, êxitos e insucessos também. Se há muitos que venceram o
vício das drogas, muitos também têm submetido as suas vidas sob o jugo de
intermináveis fórmulas de destruição: crack, cocaína, LSD, entre outras.
Mais que as guerras, as
catástrofes naturais e os desastres automobilísticos, as drogas têm ceifado do
mundo muitos jovens, têm destruído muitas famílias e provocado inúmeros
desafetos e problemas psicológicos na atualidade. Quem, infelizmente, não
conhece alguém que, devido às drogas, moram em casas de acolhida, abandonaram
seus empregos e famílias ou largaram seus estudos? Quantos jovens vivem hoje em
depressão porque se entregaram ao mundo das drogas, e não têm forças para se
reerguerem?
Certa vez o psiquiatra
Antônio Mourão, numa conferência em que também eu estava presente, desafiou o
público sobre o uso das drogas. Afirmava ele que todos ali tinham algum dia
provado algum tipo de droga. E prosseguiu elencando quais os tipos de droga que
se referia: álcool, café, chocolate, calmantes, ansiolíticos, fora as drogas
ilícitas. O mais interessante: “se alguém quiser conhecer sintomas de um
drogado, basta conhecer os sintomas de um homem apaixonado: vive pensando nela,
sente saudades dela, possui desdobramentos orgânicos e afetivos quando dela
está ausente, enfim, sintomas de um drogado e de um apaixonado são
semelhantes.”
Pertinentes reflexões
deste psiquiatra. Pertinentes porque achamos que drogado é somente aquele que
se utiliza de maconha, cocaína, crack, e todos nós, que assistimos às suas
desgraças, estamos isentos dela. Ledo engano: Se depositamos o sentido de nossa
vida em algo passageiro, seja um alimento, um vício qualquer (jogar, comprar,
trabalhar, etc) ou até mesmo uma pessoa cuja função é obedecer aos nossos
instintos carnais, corremos o grande risco de nos tornarmos dependentes
químicos.
Especialistas que
trabalham com a problemática da dependência, são unânimes em afirmar que o
álcool é a pior droga e a mais nociva às pessoas. Ele – o álcool - é a porta de
entrada de outras drogas. É ele que provoca separações conjugais, que faz
perder empregos, que pode gerar impotência sexual, e o pior: que, sutilmente,
faz de nós joguetes no mundo, pessoas irresponsáveis, que nada responde aos
apelos da vida, e faz da vida algo sem sentido.
Não quero com isto
minimizar perigos inerentes a drogas consideradas de alto teor de dependência,
como, e principalmente, o crack e o recente e temível oxi. É tão perigoso que o
Governo Federal vem incentivando casas de recuperação de dependentes para
venceram este grande mal à sociedade. Entretanto, se há uma instituição que
mais precisa de ajuda, esta se chama família. Voltemos à mesma tecla: o jovem
ou adulto que hoje é dependente químico, um dia foi uma criança indefesa e
ingênua, aberta aos estímulos e afetos dos pais ou responsáveis. Foi uma
criança que não sabia distinguir o bem do mal e que estava sempre aberta a
receber amor dos pais.
Pensemos nisto. Como diz
a música do nosso Ednaldo, ele que continua vencendo as drogas e há anos vem
reforçando seu destino com atos: “agora é hora de não olhar pra traz, passado
errado, drogas nunca mais, pois o sol me curou.”
AOS AMIGOS DA FAZENDA DO
SOL, UM ABRAÇO.

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