segunda-feira, 6 de agosto de 2012

CIÚMES...


Há razão para o ciúme?

Psicólogo Gilvan Melo


Atônitos todos nós acompanhamos as notícias sobre o crime aparentemente passional da bacharela em Direito Elize Matsunaga, que assassinou e esquartejou o bilionário Marcos Matsunaga. De um conto de fadas no qual a mocinha pobre do interior do Paraná encontra o seu príncipe encantado, a um final macabro de filmes de terror, supostamente a motivação da morte foi o ciúme. Deixando outras motivações do crime à parte, põe-se em discussão: até que ponto o ciúme é benéfico ou maléfico numa relação a dois?
Tendo como sentimentos básicos do ser humano o amor e o ódio, entendo que o ciúme transita entre os dois, ou seja, ora motivado por um sentimento de zelo ao outro, ora mobilizado por sentimentos de posse, torna-se difícil identificarmos quando ele – o ciúme – é bom ou não à relação. Entretanto podemos aprofundar esta questão.
Vejam: se ao vermos o nosso parceiro ou parceira com outra pessoa aos abraços, beijos ou intimidades além da conta, e não sentimos ao menos uma ponta de ciúme, constatamos que há algo de errado em nós. Certamente o ciúme seria o sentimento mais provável nesta situação. Desabrochariam inseguranças, sentimentos de perda, de impotência, que consumaria em atos prováveis de agressões verbais ou físicas em direção ao parceiro (a). Estaríamos diante de um ciúme normal. Logicamente que falar em agressão e falar em assassinato e, principalmente, em esquartejamento, é outra coisa completamente diferente.
Vejamos duas outras situações: primeira: encontramos um número telefônico de um estranho ou estranha no bolso da camisa do parceiro ou na bolsa de nossa parceira; segunda: ao telefonarmos para o nosso namorado ou namorada descobrimos que ele ou ela não se encontra em casa. Se em ambas as situações, deduzimos que estamos sendo traído ou traída, é, no mínimo, uma atitude precipitada, quando não até neurótica. Ora, podemos até questionar de quem é o número do telefone encontrado ou para onde foi o nosso amado (a), sem, contudo, e antes, amarmos um barraco ou agredirmos com ofensas verbais ou físicas o parceiro ou parceira. Quando se instala um ciúme de natureza semelhante a estas situações, estamos diante de um ciúme patológico.
Para o espanhol Miguel de Cervantes "Os ciumentos sempre olham para tudo com óculos de aumento, os quais engrandecem as coisas pequenas, agigantam os anões e fazem com que as suspeitas pareçam verdades."
E se “o ciúme quando é furioso produz mais crimes do que o interesse e ambição”, como disse o pensador francês Voltaire, fica a lição do inglês William Shakespeare, que escreveu Otelo, o Mouro de Veneza, um clássico da literatura e da temática do ciúme: “Meu Senhor, livrai-me do ciúme! É um monstro de olhos verdes, que escarnece do próprio pasto que o alimenta. Quão felizardo é o enganado que, cônscio de o ser, não ama a sua infiel! Mas que torturas infernais padece o homem que, amando, duvida, e, suspeitando, adora.”
Felizes mesmo são aqueles que amam e não precisam do ciúme para provar que amam. Amam pelo simples fato de amarem sem nada quererem em troca, nem mesmo a recíproca do amor. E amando, vivem apenas o seu amor e acreditam no amor do amado ou da amada.

AOS AMANTES DO AMOR, FELIZ DIA DOS NAMORADOS.





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