terça-feira, 7 de agosto de 2012

FRONTEIRAS DA LIBERDADE





Fronteiras da Liberdade



Passei o dia de hoje pensando que título atribuir a esta reflexão. Foi quando alguém que atendi voluntariamente me ofereceu o termo “fronteiras”. Daí: Fronteiras da liberdade. O tema da liberdade já era pensado, e desde a semana passada questionava a mim mesmo sobre os limites desta liberdade. Quando começa e até onde vai a liberdade? Quais as condições para que uma pessoa seja livre? Ser livre é fazer o que se quer? Pontuarei a minha fala em dois eixos baseados na Logoterapia e Análise Existencial: 1 - não somos livres de tudo; 2 – Somos livres para nos posicionar diante de tudo.
Refletindo acerca do primeiro eixo sabemos que existem situações nas quais jamais poderemos nos libertar, quais sejam: o nosso código genético, a cultura na qual nascemos, memórias ou culpas do passado, e, não ocorrendo um milagre, livrar-nos de uma doença na qual ainda não se tem uma cura. Diante destas situações, não nos resta outra alternativa senão aceitarmos enquanto imposições do destino.
Importante destacar que destino aqui refere-se a tudo o que não podemos mudar. Ao contrário da visão de destino como um futuro definido, refiro-me a ele como todas as vivências instaladas no passado as quais não podemos mudar. Ora, se não somos livres deste destino, que grau de liberdade compete aos seres humanos? Falo aos seres humanos, porque todo e qualquer animal, com exceção do homem e da mulher, é submisso aos seus instintos e às leis da natureza. Eles não podem escolher, decidir ou se responsabilizar diante dos fatos. Adianto então o segundo ponto: a liberdade consiste em escolher, decidir e se responsabilizar diante de situações mutáveis e imutáveis.
Neste caso, se estou acometido de uma doença incurável, não podendo mudar o curso natural da morte, posso, ainda assim, escolher uma nova maneira de viver ou uma forma digna de morrer. Posso dar outro significado ao sofrimento através de uma nova forma de enxergar e viver a vida. Diante de uma culpa, se jamais poderei separar-me dela, posso me retratar dando a ela um sentido. Foi assim o que fez uma mulher que, anos após praticar um aborto, uma vez arrependida e não mais tendo condições físicas de gerar uma vida, resolveu adotar um filho. Foi também assim que uma jovem, traumatizada com a morte de sua mãe quando ainda ela era uma criança, trouxe o assunto numa psicoterapia ou numa confissão, perdoando a si mesma pelas vezes em que não deu o merecido valor à mãe, bem como perdoando a Deus, pois, inconsciente, acreditava que Deus tinha culpa na morte de seu ente querido. Viktor Frankl tinha absoluta razão: não somos “livres de”, mas somos “livres para”. Não somos livres para mudar determinadas situações, mas somos livres para nos posicionar diante delas.
Diferente do que muitas pessoas pensam, ser livre não é fazer o que vier à cabeça, pois assim fazem os animais irracionais, guiados pelos instintos ou pelos impulsos comandados pela sensação de prazer. Ser livre não é fazer o que se quer, pois em cada cultura a ética nos obriga a limitar a nossa liberdade desde que atinja os valores da coletividade. Na verdade, ser livre é poder dizer SIM às situações que possuem um sentido para a nossa vida e um bem-estar para os outros que convivem conosco. Também, ser livre é poder dizer NÃO às situações que nos põem a nos rebaixar, tais como o vício das drogas, sofrimentos desnecessários ou a morte suicida.
Tudo isto porque a liberdade supõe uma capacidade de escolhermos entre o bem e o mal, de decidirmos de que lado estamos e de nos responsabilizarmos diante das inúmeras situações que se apresentam em nossa vida.

ABRAÇOS, E ATÉ À PRÓXIMA SEMANA, SE DEUS QUISER.

Psicólogo Gilvan Melo




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