Fronteiras da Liberdade
Passei o dia de hoje
pensando que título atribuir a esta reflexão. Foi quando alguém que atendi
voluntariamente me ofereceu o termo “fronteiras”. Daí: Fronteiras da liberdade.
O tema da liberdade já era pensado, e desde a semana passada questionava a mim
mesmo sobre os limites desta liberdade. Quando começa e até onde vai a
liberdade? Quais as condições para que uma pessoa seja livre? Ser livre é fazer
o que se quer? Pontuarei a minha fala em dois eixos baseados na Logoterapia e
Análise Existencial: 1 - não somos livres de tudo; 2 – Somos livres para nos
posicionar diante de tudo.
Refletindo acerca do
primeiro eixo sabemos que existem situações nas quais jamais poderemos nos
libertar, quais sejam: o nosso código genético, a cultura na qual nascemos, memórias
ou culpas do passado, e, não ocorrendo um milagre, livrar-nos de uma doença na
qual ainda não se tem uma cura. Diante destas situações, não nos resta outra
alternativa senão aceitarmos enquanto imposições do destino.
Importante destacar que
destino aqui refere-se a tudo o que não podemos mudar. Ao contrário da visão de
destino como um futuro definido, refiro-me a ele como todas as vivências
instaladas no passado as quais não podemos mudar. Ora, se não somos livres
deste destino, que grau de liberdade compete aos seres humanos? Falo aos seres
humanos, porque todo e qualquer animal, com exceção do homem e da mulher, é
submisso aos seus instintos e às leis da natureza. Eles não podem escolher,
decidir ou se responsabilizar diante dos fatos. Adianto então o segundo ponto: a
liberdade consiste em escolher, decidir e se responsabilizar diante de
situações mutáveis e imutáveis.
Neste caso, se estou
acometido de uma doença incurável, não podendo mudar o curso natural da morte,
posso, ainda assim, escolher uma nova maneira de viver ou uma forma digna de
morrer. Posso dar outro significado ao sofrimento através de uma nova forma de
enxergar e viver a vida. Diante de uma culpa, se jamais poderei separar-me
dela, posso me retratar dando a ela um sentido. Foi assim o que fez uma mulher
que, anos após praticar um aborto, uma vez arrependida e não mais tendo
condições físicas de gerar uma vida, resolveu adotar um filho. Foi também assim
que uma jovem, traumatizada com a morte de sua mãe quando ainda ela era uma
criança, trouxe o assunto numa psicoterapia ou numa confissão, perdoando a si
mesma pelas vezes em que não deu o merecido valor à mãe, bem como perdoando a
Deus, pois, inconsciente, acreditava que Deus tinha culpa na morte de seu ente
querido. Viktor Frankl tinha absoluta razão: não somos “livres de”, mas somos “livres
para”. Não somos livres para mudar determinadas situações, mas somos livres
para nos posicionar diante delas.
Diferente do que muitas
pessoas pensam, ser livre não é fazer o que vier à cabeça, pois assim fazem os
animais irracionais, guiados pelos instintos ou pelos impulsos comandados pela
sensação de prazer. Ser livre não é fazer o que se quer, pois em cada cultura a
ética nos obriga a limitar a nossa liberdade desde que atinja os valores da
coletividade. Na verdade, ser livre é poder dizer SIM às situações que possuem
um sentido para a nossa vida e um bem-estar para os outros que convivem conosco.
Também, ser livre é poder dizer NÃO às situações que nos põem a nos rebaixar,
tais como o vício das drogas, sofrimentos desnecessários ou a morte suicida.
Tudo isto porque a
liberdade supõe uma capacidade de escolhermos entre o bem e o mal, de decidirmos
de que lado estamos e de nos responsabilizarmos diante das inúmeras situações
que se apresentam em nossa vida.
ABRAÇOS, E ATÉ À PRÓXIMA
SEMANA, SE DEUS QUISER.
Psicólogo Gilvan Melo

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