Caminhos da ansiedade
Caminhos da ansiedade
Prisioneiros do tempo
todos nós somos passíveis de ter ansiedade. Uma sensação que antecipa o tempo
futuro, prejudicando a vivência do tempo presente. A ansiedade antecipatória,
como chamava Viktor Frankl, é um sintoma que tem mobilizado ações neuróticas
obssessivo-compulsivas e fóbicas. Explico: na ausência de algo que desejamos,
de um momento que esperamos ou de uma coisa que tememos, a ansiedade nos mobiliza
antes mesmo de vivenciarmos tais situações.
A ansiedade antecipatória
ao vivenciar uma situação antes do tempo normalmente gera em nós sentimentos,
sintomas ou emoções que interferem, positiva ou negativamente, nossos
comportamentos. É assim que enamorados antecipam a presença do outro em seu
coração, e passam a sentir, pelas vias da saudade, taquicardia, arrepios,
gagueira e outros efeitos. Também é desta maneira que contemplativos antevêem
Deus na sua memória, ícones ou imagens postas nas igrejas.
O ansioso é aquele ou
aquela que reproduz em seus corpos tiques, manipulações ou inquietações,
visíveis a um bom observador. E aí não adianta dizer que não se está nervoso ou
apreensivo com a chegada iminente de um momento, pessoa ou situação. O ansioso se
entrega pelos gestos: roer as unhas, mexidas constantes no cabelo, sudorese nas
mãos ou olhares fugidios.
Mas quando a ansiedade é
positiva? Ora, há momentos que exigem de nós uma força extra, uma fortaleza em
preparação ao perigo iminente ou a um instante importante e decisivo na vida. Situações
como a doença de um ente querido, um jogo decisivo, uma apresentação artística
de estreia, exige de nós certo nível de ansiedade sem o qual seria impossível
ultrapassá-lo com êxito. Nestes casos antecipar o momento serve de estímulo e
preparação para se enfrentar problemas e situações adversas.
Portanto, estes são os
caminhos da ansiedade. A decisão de seguir um ou outro caminho depende de nós.
Psicólogo Gilvan Melo

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