quinta-feira, 6 de setembro de 2012

EM BUSCA DE SENTIDO


Caminhos da ansiedade

Caminhos da ansiedade



Prisioneiros do tempo todos nós somos passíveis de ter ansiedade. Uma sensação que antecipa o tempo futuro, prejudicando a vivência do tempo presente. A ansiedade antecipatória, como chamava Viktor Frankl, é um sintoma que tem mobilizado ações neuróticas obssessivo-compulsivas e fóbicas. Explico: na ausência de algo que desejamos, de um momento que esperamos ou de uma coisa que tememos, a ansiedade nos mobiliza antes mesmo de vivenciarmos tais situações.
A ansiedade antecipatória ao vivenciar uma situação antes do tempo normalmente gera em nós sentimentos, sintomas ou emoções que interferem, positiva ou negativamente, nossos comportamentos. É assim que enamorados antecipam a presença do outro em seu coração, e passam a sentir, pelas vias da saudade, taquicardia, arrepios, gagueira e outros efeitos. Também é desta maneira que contemplativos antevêem Deus na sua memória, ícones ou imagens postas nas igrejas.
O ansioso é aquele ou aquela que reproduz em seus corpos tiques, manipulações ou inquietações, visíveis a um bom observador. E aí não adianta dizer que não se está nervoso ou apreensivo com a chegada iminente de um momento, pessoa ou situação. O ansioso se entrega pelos gestos: roer as unhas, mexidas constantes no cabelo, sudorese nas mãos ou olhares fugidios.
Mas quando a ansiedade é positiva? Ora, há momentos que exigem de nós uma força extra, uma fortaleza em preparação ao perigo iminente ou a um instante importante e decisivo na vida. Situações como a doença de um ente querido, um jogo decisivo, uma apresentação artística de estreia, exige de nós certo nível de ansiedade sem o qual seria impossível ultrapassá-lo com êxito. Nestes casos antecipar o momento serve de estímulo e preparação para se enfrentar problemas e situações adversas.
Portanto, estes são os caminhos da ansiedade. A decisão de seguir um ou outro caminho depende de nós.



Psicólogo Gilvan Melo



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