O poder da consciência
Se bem entendêssemos o
valor e o poder da consciência, certamente muitos problemas particulares e
sociais encontrariam solução. Se conseguíssemos ouvir a “voz da consciência” em
momentos de conflito ou atender às suas advertências em instantes de decisão, o
mundo seria outro. O problema é que, quando não conhecemos o seu poder ou
desprezamos a sua presença, em muitos casos, seja no campo pessoal, social e
até científico, a reduzimos a mera espectadora das manobras do inconsciente. É
isto mesmo o quero dizer: Para muitos vive-se como se a fantasia, o prazer, o
instinto, a fabulação, fossem os mandatários de nós mesmos e da sociedade, em
detrimento da “chata”, “dura”, “comprometedora”, “responsável”, nomes
estereotipados da consciência.
Parafraseando o célebre
escritor brasileiro Machado de Assis, na obra O Alienista, “felizes são os loucos que fazem da loucura uma razão
para não se culpar”. Alguns dizem: “queria ser ignorante, para não enxergar as
maldades dos homens”. É incrível, mas costumamos valorizar a loucura e a
ignorância e a não encarar as coisas como elas são, pois não costumamos
suportar a verdade. Mas, como utilizarmos o poder da consciência, sem que
soframos por isto?
Viktor Frankl, o pai da
logoterapia, ao criticar o conformismo (fazer o que todos fazem) e o
totalitarismo (fazer o que alguns querem) da sociedade contemporânea,
apontando-os como os principais responsáveis pela existência do “vácuo
existencial”, incidindo no sintoma da depressão, apela para o mundo dos valores
e para o poder da consciência, como tentativas de sair deste vazio. Numa
sociedade que tenta relativizar todas as coisas, como bem criticou o Papa Bento
XVI, precisamos conhecer e definir quais os valores universais, que servem de
parâmetro social para todas as culturas.
Numa sociedade que esmera
por prazer e poder, e neles esbarram-se no sentimento constante de frustração,
devemos compreender que é a busca pelo sentido que motiva, verdadeiramente, a
existência humana, justamente pela função da consciência. Se os animais
irracionais possuem instintos e a eles obedecem cegamente, nós, homens e
mulheres, possuímos a razão, e mais que isto, uma consciência capaz de nos
orientar na busca deste sentido: sentido de cada situação, sentido da vida e
sentido da morte. Para a logoterapia, “a consciência é o órgão do sentido”. Por
excelência, é ela que nos ajuda a discernir diante dos conflitos, que nos
adverte sobre os perigos iminentes e que nos aponta para saídas em momentos
difíceis da vida. Não: a voz da consciência não é a voz de Deus. Até estudiosos
confundem. Mas ela é um veículo estreito onde Deus e a pessoa se comunica.
Porém, se ambas as vozes não são audíveis à pessoa, o diálogo deixa de existir.
O importante é deixarmos
que a voz da consciência, naturalmente, deixe-se falar. Que Deus fale com ela,
e que diante do mundo, ambas - a voz da nossa consciência e a voz de Deus –
decidam por nós. Se assim o fizermos, votaremos com consciência nas eleições
que se aproximam, escolheremos melhor os nossos parceiros amorosos ou a nossa
profissão, saberemos quando erramos e enfrentaremos os obstáculos da vida com
serenidade, mesmo que nos cause sofrimento e dor.
UMA BOA TARDE A TODOS.
Psicólogo Gilvan Melo

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