Nascidos para decidir
Homens comuns e
estudiosos perguntam constantemente: “O que é ser humano?” Seria um ser que
responde às circunstâncias da vida? Que atende aos estímulos ou segue a energia
dos instintos? Seria uma viajante sem rumo que dirige a sua vida de acordo com
os movimentos dos ventos ou das situações? Ser humano, diferente dos animais, é
um ser dotado da capacidade de decidir, ser que responde não cegamente aos instintos,
mas busca o sentido de todas as coisas, através dos apelos da consciência. Mais
que “teleguiados” pelo inconsciente, somos “puxados” por valores e pelo
sentido.
Decidimos o tempo todo.
Ao acordarmos, decidimos se queremos viver ou continuar o sono profundo da
falta de iniciativa; se queremos enfrentar os desafios cotidianos ou
mergulharmos na depressão e na apatia. Decidimos se desejamos amar ou odiar as
pessoas; decidimos pelas roupas que vestimos, pelo olhar que damos, pela comida
que comemos. Somos os únicos seres da terra imprevisíveis, onde estímulos nem
sempre provocam as mesmas respostas. Somos, por exemplo, capazes de amar a quem
não nos quer bem e de desprezar quem verdadeiramente nos ama.
Sob este aspecto, não
decidir é também decidir. Pela indecisão muitos entram no mundo das drogas,
batem o carro, descobrem, tardiamente, que não amam mais seu companheiro ou sua
companheira ou que a profissão que levou “com a barriga” só faz gerar-lhe
estresse, enfim, não decidindo por aquilo que dava sentidos às suas vidas,
muitos deixaram de descobri-los naquilo que suportaram, sem decidir. Decidir é
a condição de ser. Nascemos para decidir.
As doenças atingem o
nosso corpo e a nossa mente. Jamais atinge o nosso espírito. É da dimensão
espiritual que emana a capacidade de decidir. Como disse o Padre e escritor Ayrton
Freire: “Toda decisão requer uma cisão”. Ele queria dizer que quando decidimos
por algo, negligenciamos outras coisas. O autor aprofunda que decidir é também
escolher, e escolher implica ganhos e perdas. A todo instante, ao escolhermos
uma profissão, deixamos um monte delas para trás. Quando escolhemos alguém para
casar, abdicamos de algumas outras pessoas que cruzaram os nossos caminhos. Ao
ganharmos por um lado, por outro lado também perdemos.
O importante é percebermos
os ganhos diante das perdas. Por exemplo: quem decide ser padre deixa de ser
pai, entretanto, torna-se pai por vocação, pai de muitas almas. Quando decidimos
seguir uma rua, diferente daquela que comumente costumamos seguir, ganhamos
paisagens inesperadas, flores novas pelo caminho e pessoas novas a contemplar.
Cabe a cada um de nós escolher. Cabe a cada um de nós decidir.
UMA BOA TARDE A TODOS.

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