segunda-feira, 23 de abril de 2012

O SENTIDO DA VIDA


 O sentido da vida

Psicólogo Gilvan Melo

“Hoje é páscoa porque tenho a graça de te ver”. Eleva-se a oração de São Bento após alguns dias de exílio espiritual. Estas palavras expressam bem o sentido da páscoa: enxergar o outro, abrir-nos a Deus e através desta abertura, encontrar-nos a nós mesmos. A partir do último domingo de páscoa serão cinquenta dias de vida nova até a festa de pentecostes, o completo derramamento do Espírito Santo no seio da igreja. Mas por que muita gente, incluindo muitos que se dizem cristãos, mesmo no período da páscoa, não saem da agonia do horto das oliveiras? Quantos de nós ainda não enxergamos o sentido da vida, mesmo com o exemplo de despojamento e Amor do Cristo?
Quem vem acompanhando este quadro desde o início deve ter percebido que seguimos uma trilha percorrida pelo mesmo trajeto de Jesus Cristo antes da morte e ressurreição: Da solidão e angústia do horto, passamos pelo sofrimento, paixão e morte, atravessados pelo sentimento de culpa dos que o acusaram ou o abandonaram. Hoje contemplamos como os discípulos de Emaús que não está mais entre os mortos aquele que ressuscitou. Ultrapassou a morte aquele que é o caminho, a verdade e a vida. Venceu o pecado quem não o teve. Aos que morriam de fome, o pão da vida os saciou.
Até aí tudo bem, até entendemos o percurso e o exemplo de Cristo Jesus, mas em nossas existências, como perceber o sentido da vida?
Mais uma vez recorremos à Logoterapia. Para Viktor Frankl, o seu fundador, existem três maneiras de encontrarmos o sentido da vida: Através do que fazemos, incluindo a nossa vocação, missão, profissão, atividades em geral; através das experiências que temos com as pessoas, com Deus e com a natureza, sejam vivências no campo estético ou religioso; por fim, através da atitude que tomamos diante do inevitável: a culpa, a morte e o sofrimento.
Diante destas pistas apresentadas por Frankl, pergunto: somos realizados naquilo que fazemos, na profissão que escolhemos, na vocação que abraçamos? Vivemos junto das pessoas que gostamos, sem interesse algum pelo que elas têm ou pelo que elas nos trazem de retorno? Amamos a Deus e os outros sem nada querermos em troca, senão pela companhia ou pela simples amizade? Continuamos íntegros e felizes mesmo diante de situações adversas tais como doenças, morte de alguém querido ou perante nossos erros passados?
Não se trata de um teste matemático para sabermos se enxergamos ou não o sentido da vida, mas de compreendermos, didaticamente, o grau de realização por nós vivenciado. Importante destacar que não está dentro de nós o sentido, tampouco podemos nós mesmos atribuir sentido em cada momento da vida, mas se trata de percebermos este sentido em cada situação; e mais do que isto: enxergar o sentido além de cada situação: um sentido último, um supra-sentido, o próprio Deus.
Se antes dissemos que o “sentido da morte é dar sentido à vida”, hoje concluímos que o sentido da vida é transcender a morte, consumindo-nos e até sofrendo, por Amor a Deus e aos outros.
“Hoje é Páscoa porque tenho a graça de te ver.”

SAÚDE E PAZ.
Gilvan Melo



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