Relação marido e mulher
“Mulheres estão sujeitas
aos seus maridos, como ao Senhor... E vós maridos, amai as vossas mulheres,
como Cristo amou a igreja e se entregou por ela.” (Ef 5, 22; 25). Esta carta do
apóstolo Paulo parece não soar bem no mundo machista de hoje. Contam-se nos
dedos as mulheres que se sujeitam aos seus maridos, como também dificilmente
encontramos homens que amam as suas mulheres a ponto de se entregarem a elas, tal
como Cristo o fez no madeiro da cruz por amor à humanidade. Acaba sendo
tentador para os casais manterem a castidade proposta na cerimônia do
matrimônio, quando inúmeras são as possibilidades de vivermos uma vida
mergulhada nos prazeres da carne. Tampouco é difícil aceitar ser “manobrado”
num mundo que privilegia a independência, o “poder de si” e o isolamento.
Na busca pelo prazer e pelo
poder nos desencontramos com o sentido da vida a dois. Sim, é pelo prazer que
distúrbios sexuais têm invadido as famílias, provocando abusos de crianças indefesas
por parte do próprio pai que as ajudou a vir ao mundo. É pelo prazer que
mulheres, separadas do marido de primeiro casamento e não escolhendo bem os
seus parceiros, põem em risco os seus filhos, subjugados a padrastos perversos
e neuróticos sexuais.
É pelo poder que muitos
casais não têm mais tempo para um lazer a dois ou com os filhos, desculpando-se
da falta através da afirmação de que precisam trabalhar para suprirem as
despesas da casa, quando “há muitos filhos que bem mais do que um palácio,
gostariam do abraço e do carinho entre os seus pais”. Pelo poder do orgulho casais não se perdoam
diante das brigas causadas por erros na relação. Na ausência de diálogo e na
tentativa de “dar um troco” aos erros do outros, muitos casais se separam,
gerando uma enxurrada de problemas afetivos em ambos e nos filhos.
E onde fica o sentido? Como
enxergar nos acertos e erros um caminho para a reconciliação? Como encaixar
duas pessoas muitas vezes opostas, com educações e níveis intelectuais e
financeiros diferentes, com crenças e religiões que “não se batem”?
É aqui que se encontra o
desafio: viver bem com as diferenças. Unir-se pelo amor, pelo respeito, pela
aceitação do jeito do outro, abrindo-se sempre ao perdão, até que se instale
novamente a confiança. Sim, a fé em Deus é importante, mas aqui falo de fé no
outro, acreditar na relação, acreditar no amor revelado no altar.
Que bom seria se nós
casados, homens e mulheres, entendêssemos que a castidade não se resume à vida
de um (a) consagrado (a): seja um padre ou uma freira. Somos todos chamados à
fidelidade, “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, amando-nos e
respeitando-nos até o fim de nossas vidas.” Amar até o fim é o sentido do
matrimônio, talvez o mais desafiador de todos os sacramentos.
Não se esqueçam, casais:
É da nossa relação que surgem os piores, mas também os mais santos homens e as
mais santas mulheres da sociedade.
MARIDOS E MULHERES, PAZ E BEM.
Psicólogo Gilvan Melo

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