quinta-feira, 24 de maio de 2012

EM BUSCA DE SENTIDO


Faz sentido a família?


No mundo globalizado em que vivemos misturam-se vantagens e desvantagens. Uma das vantagens é a capacidade de comunicação entre os cidadãos. Após a internet e o advento do aparelho celular, surgiram uma gama de possibilidades na tentativa de encurtar tempo e espaço: a criação do msn, skype, Orkut, twitter, facebook e tantos outros aplicativos, representam a busca do diálogo entre as pessoas. Mas nesta vantagem, não habitaria uma desvantagem? Exatamente a falta de contato físico e afetivo na sociedade, provocado principalmente pela falta de diálogo nas famílias?
Antes de continuarmos esta reflexão, algumas perguntas básicas: quantos aparelhos de televisão, aparelhos de celular e computadores há em sua casa caro ouvinte? Até que ponto eles contribuem para o diálogo entre os membros de sua família? Intrigantes perguntas não?
Este tema, uma sugestão de um dos ouvintes do Programa Segue-me, retoma uma discussão séria em torno do sentido da família. Para que serve a família? A família é a base de toda e qualquer sociedade; é o núcleo a partir do qual se constrói uma cultura, um povo. Se acaso ela – a família – adoece, todas as demais instituições também adoecem. As escolas começam a ter problemas de indisciplina, os consultórios médicos e psicológicos se enchem; as instituições psiquiátricas e as que cuidam de dependentes químicos incham; aumenta o índice de criminalidade, exatamente porque muitas famílias não possuem estrutura afetiva, psicológica e espiritual que possibilitem o pleno desenvolvimento da pessoa.
Não gostaria de engrossar o caldo desta discussão com estatísticas, mas terei que apontar algumas conclusões. Aumentam a cada dia o número de divórcios, abusos sexuais no seio familiar e brigas de herança ou disputas da guarda dos filhos. Com estes aumentos, a mídia apresenta filhos que matam pais ou mães, irmãos que se matam e pais que até matam seus filhos. É lamentável, mas é verdade. Quem não se lembra do caso da família Richthofen em 2002 e do caso Nardoni em 2008? Realmente, muitas famílias estão doentes.
Entretanto, poucos órgãos de comunicação divulgam o êxito de famílias estruturadas, famílias que celebram bodas de ouro ou até de diamante de pais que entregaram à sociedade cidadãos dignos, profissionais de sucesso, cristãos autênticos. Se mais órgãos assim o fizessem, quem sabe o testemunho dessas famílias não transformaria famílias doentes?
Mas o que falta realmente nas famílias para que elas se tornem exemplos positivos? Mesmo sabendo que fatores como religião, trabalho, lazer, educação, contribuem na estruturação das famílias, acredito que seja a falta de diálogo o ponto chave da falência de parte desta instituição. Precisamos estar mais juntos uns dos outros. Pais precisam brincar mais com seus filhos. Famílias precisam estar (re) unidas na hora das refeições, nas missas dominicais, cultos ou orações semanais. Precisam comemorar aniversários de forma sadia, sem necessariamente apelar paras as bebedeiras, que ao invés de unir afastam os membros da família. Necessitamos das prosas nos finais de tarde e ao final do dia. Escutarmos os problemas uns dos outros e encontrarmos soluções juntos. Necessitamos criar programas, passeios, viagens, onde todos possam se conhecer mais, enfim, não há receita, cada família pode encontrar o fio que os une, os espaços que precisam ser preenchidos, o amor que deve ser resgatado, sendo que para isto é necessário o diálogo como a porta de entrada da transformação.
Não sou contra tecnologia nem contra estatísticas, também não apenas critico o mundo globalizado, mas acredito que não devemos desprezar alguns hábitos da tradição. Sou humanista convicto. Defendo que o homem não foi feito para a técnica, mas a técnica foi feita para o homem.
A TODOS, DESEJO SAÚDE E PAZ NA FAMÍLIA.
Psicólogo Gilvan Melo



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