Faz sentido a família?
No mundo globalizado em
que vivemos misturam-se vantagens e desvantagens. Uma das vantagens é a
capacidade de comunicação entre os cidadãos. Após a internet e o advento do
aparelho celular, surgiram uma gama de possibilidades na tentativa de encurtar
tempo e espaço: a criação do msn, skype,
Orkut, twitter, facebook e tantos outros aplicativos, representam a busca
do diálogo entre as pessoas. Mas nesta vantagem, não habitaria uma desvantagem?
Exatamente a falta de contato físico e afetivo na sociedade, provocado
principalmente pela falta de diálogo nas famílias?
Antes de continuarmos
esta reflexão, algumas perguntas básicas: quantos aparelhos de televisão, aparelhos
de celular e computadores há em sua casa caro ouvinte? Até que ponto eles
contribuem para o diálogo entre os membros de sua família? Intrigantes
perguntas não?
Este tema, uma sugestão
de um dos ouvintes do Programa Segue-me,
retoma uma discussão séria em torno do sentido da família. Para que serve a
família? A família é a base de toda e qualquer sociedade; é o núcleo a partir do
qual se constrói uma cultura, um povo. Se acaso ela – a família – adoece, todas
as demais instituições também adoecem. As escolas começam a ter problemas de
indisciplina, os consultórios médicos e psicológicos se enchem; as instituições
psiquiátricas e as que cuidam de dependentes químicos incham; aumenta o índice
de criminalidade, exatamente porque muitas famílias não possuem estrutura
afetiva, psicológica e espiritual que possibilitem o pleno desenvolvimento da
pessoa.
Não gostaria de engrossar
o caldo desta discussão com estatísticas, mas terei que apontar algumas
conclusões. Aumentam a cada dia o número de divórcios, abusos sexuais no seio
familiar e brigas de herança ou disputas da guarda dos filhos. Com estes
aumentos, a mídia apresenta filhos que matam pais ou mães, irmãos que se matam
e pais que até matam seus filhos. É lamentável, mas é verdade. Quem não se
lembra do caso da família Richthofen em 2002 e do caso Nardoni em 2008?
Realmente, muitas famílias estão doentes.
Entretanto, poucos órgãos
de comunicação divulgam o êxito de famílias estruturadas, famílias que celebram
bodas de ouro ou até de diamante de pais que entregaram à sociedade cidadãos
dignos, profissionais de sucesso, cristãos autênticos. Se mais órgãos assim o
fizessem, quem sabe o testemunho dessas famílias não transformaria famílias
doentes?
Mas o que falta realmente
nas famílias para que elas se tornem exemplos positivos? Mesmo sabendo que
fatores como religião, trabalho, lazer, educação, contribuem na estruturação
das famílias, acredito que seja a falta de diálogo o ponto chave da falência de
parte desta instituição. Precisamos estar mais juntos uns dos outros. Pais
precisam brincar mais com seus filhos. Famílias precisam estar (re) unidas na
hora das refeições, nas missas dominicais, cultos ou orações semanais. Precisam
comemorar aniversários de forma sadia, sem necessariamente apelar paras as
bebedeiras, que ao invés de unir afastam os membros da família. Necessitamos
das prosas nos finais de tarde e ao final do dia. Escutarmos os problemas uns
dos outros e encontrarmos soluções juntos. Necessitamos criar programas,
passeios, viagens, onde todos possam se conhecer mais, enfim, não há receita, cada
família pode encontrar o fio que os une, os espaços que precisam ser
preenchidos, o amor que deve ser resgatado, sendo que para isto é necessário o
diálogo como a porta de entrada da transformação.
Não sou contra tecnologia
nem contra estatísticas, também não apenas critico o mundo globalizado, mas
acredito que não devemos desprezar alguns hábitos da tradição. Sou humanista
convicto. Defendo que o homem não foi feito para a técnica, mas a técnica foi
feita para o homem.
A TODOS, DESEJO SAÚDE E
PAZ NA FAMÍLIA.
Psicólogo Gilvan Melo

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