"O SENTIDO DA SOLIDÃO"
* Por Gilvan Melo, psicologo
Após um dia de trabalho, de lazer ou de ociosidade, mesmo nos dias em que estamos rodeados de amigos, colegas ou personagens de filmes e novelas, quem de nós nunca se sentiu sozinho? Não raramente, alguns mais que outros, mesmo com a companhia de atores da sessão coruja, de companheiros ou companheiras de quarto, ou até junto a nós na mesma cama, não se deparou com a solidão? Como diz a canção do cantor e compositor Guilherme Arantes: “o mundo vive a noite, mas todo mundo foge é da solidão”. Solidão, “amiga das horas e prima-irmã do tempo e que causa descompasso em nosso coração”, como também diz a música do cantor Alceu Valença. Mas também, a solidão, companheira dos monges e poetas, essencial para escutar a voz da nossa própria consciência.
Duas visões da solidão, onde no mundo capitalista é a visão negativa da solidão que parece vencer. E aí acabamos fugindo dela ou achando que estamos em depressão pelo simples fato de estarmos sós. Partindo dessa ideia, usamos dois, três celulares; buscamos contato com outros solitários através das redes sociais: e-mails, blogs, facebook, twiter, é preciso nos contactar; não às vezes pelo fato de nos comunicarmos, mas pelo fato de nos sentirmos sozinhos no meio da multidão. Para fugirmos da solidão encaramos 24 horas de “reality shows”, passamos horas a fio com a TV ligada ou o computador em rede ligado para, simplesmente, sentirmos que há alguém falando conosco, ah! nossos amigos imaginários!
Por outro lado, existe também a visão positiva da solidão, ou o que chamo neste quadro inaugural nas ondas da Rádio Caturité: o sentido da solidão. Solidão que fez com que o próprio Jesus Cristo buscasse nos quarenta dias em que foi tentado pelo demônio, escutar a voz do Pai e entender o Seu plano de Amor. Num ato de recolhimento, no deserto como Ele chamava, Jesus trazia em Seu silêncio, a multidão que lhe aguardara. Nesta ideia de solidão como inspiração, e não como fuga, jamais nos sentiremos sós, porque trazemos ao nosso “deserto” figuras e situações reais, encaramos de frente a constatação de que nascemos sozinhos e ao pó voltaremos também sozinhos, não porque seja prazeroso estarmos sós, mas para trilharmos os caminhos seguros de nossa vocação e missão na terra, ainda que tenhamos que cruzar pela tentações e provações da vida. É nesta solidão que podemos escutar a Deus e a nós mesmos, mantendo um diálogo entre a criatura e o criador. É no meio desta solidão que percebermos os gritos dos oprimidos da sociedade, como também a essência do outro que vem ao nosso encontro. É no deserto onde discernimos que voz nos fala: a voz de Deus, a do demônio ou a de nós mesmos.
Concluindo, o sentido da solidão nos permite que nos encontremos melhor com Deus e com as pessoas que fazem parte de nossa vida. Faz com que reconheçamos os verdadeiros amigos, a face real do criador, as maldades do mundo. Que a partir de hoje possamos entender que a solidão é um instrumento rico de encontro, uma companheira que nos faz enxergar a nossa pequenez, ao mesmo tempo em que a nossa grandeza, pois através dela, abraçamos a terra, abraçamos o céu.
SAÚDE E PAZ.

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