sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

FILOSOFIA E COMUNICAÇÃO


FILOSOFANDO SOBRE A ARTE DA COMUNICAÇÃO



                                                                                                                    Por Gilvan Melo



A marca oficial da natureza é a capacidade de comunicar-se. Enquanto os animais utilizam códigos pré-escritos em sua genética e possuem habitat comum às suas espécies, a pessoa humana inventa seus códigos, signos, significados, através de uma cultura construída historicamente.

Na arte de comunicar citada por Nietzsche espera-se que os sentidos sobressaiam à palavra e à escrita, no entanto é ele mesmo quem diz que a boa conversa é o maior signo de envolvimento, inclusive sugerindo o casamento entre aqueles através dos quais a arte da comunicação tornou-se fecunda (Nietzsche apud Dias, 1991). O que se constata hoje é que ainda com tantas mídias e formas novas de se comunicar, as pessoas vivem distantes uma das outras. O mundo globalizado e a “sociedade espetacular” (DEBORD, 1997) distancia a pessoa de sua busca natural, que na concepção de Rousseau remete-se à necessidade de liberdade, piedade e perfectibilidade, além da sociabilidade (Rousseau apud BRAUNSTEIN, 1985). É lógico e inegável que a ideia aristotélica de homem social, de homem que se comunica com um outro, é mais próxima da razão humana e da sua diferença em relação aos animais; porém essa mesma comunicação (tecnologizada, perpassada através das máquinas) tem causado a própria distância entre os homens.
Utilizando-se desse pressuposto filosófico de que não vivemos isolados, esta dita globalização nos torna indivíduos (aquele que não se divide), isolados cada vez mais, e nos oferece, de consolo, o comércio do entretenimento, sobretudo através da televisão[1]. Esta sociedade da técnica aposta tudo na sensação de incompletude do ser humano. No entanto, estamos cada vez mais sós, muito mais que os bichos animais perdidos e em extinção nas florestas.
Ao mesmo tempo em que afirmamos que somos um ser social, negamos a capacidade de sentir o outro como pele a nós pertencentes; valorizamos palavras e letras e esquecemos os sentidos. Somos seres isolados que precisam de máquinas para nos unir, de salas virtuais para nos comunicar.
Será que não desaprendemos a ser gente? Gente que se comunica através do olhar, do toque, do abraço e do aperto de mão?






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